Então lá vai o que aconteceu, segundo Jennifer. Aí você decide se acerdita nela ou não. Eu mesma não tive muita certeza no começo, mas agora estou convencida de que é a verdade. Corta para o dia do incêndio. Jennifer, toda ralada e aterrorizada por haver passado de raspão pela morte, estava aconchegada no fundo do furgão. Nikolai dirigia. Ninguém falava nada. Ela só ouvia os pneus amassando o cascalho.
— Galera, pra onde a gente ta indo? – perguntou ela.
— Pro mato! – disse Nikolai, alegremente.
— Pro mato? – repetiu ela. – Tipo, pra curtir ou algo assim?
— Claro! – cantarolou Nikolai. – Pra curtir no mato, todo mundo!
Os outros caras deram risinhos. Jennifer olhou em volta para as paredes do furgão e viu que havia coisas pitadas com tinta fosforescente – cabeças de bode, pentagramas, escritos estranhos. Eles viraram a esquina e alguns livros que escorregaram para o chão foram parar aos pés dela. Feitiços e Encantamentos, Invocação da Besta e Missa Negra.
Jennifer deu um pulo e agarrou a maçaneta da porta. Mas o baterista segurou os tornozelos dela e a puxou de volta para baixo.
— Vocês são estupradores? – gritou Jennifer.
— Quisera você – respondeu Nikolai com um sorriso.
Ela lutou, mas o baterista não a largava. Ele perguntou aos outros caras se ela era mesmo virgem. Jennifer entendeu mal, do mesmo jeito que eu tinha entendido no Melody Lane, pensando que eles estavam atrás de um a vadia para montar. Nem eu nem ela compreendemos que eles queriam uma virgem (porque, sinceramente, quem é que quer uma hoje em dia? (Sacrifício de virgens está tão fora de moda). Enfim, o caso é que ela mentiu para eles também.
— Sim! É claro que eu sou virgem! Nunca transei na vida, nuca! Nem sei como é que se faz. Então acho melhor vocês encontrarem uma garota que saiba. Que saiba como.
— Eu disse! – concluiu Nikolai, convencido. – Essas garotas de cidadezinha são todas
orgulhosas e poderosas. Lembra da minha namorada de escola, Amy? Ela me disse que queria esperar até o casamento. No fim, ela só queria esperar por alguém com um carro melhor. Vadia. – Ele gargalhou de forma maníaca.
Dirk pareceu meio assustado.
— Que droga, cara – disse ele.
— Dirk! Não pedi sua opinião! – berrou Nikolai.
— Lua crescente. Como o ritual diz.
— Você é o cara – disse o baterista.
Os quatro rodearam Jennifer e simplesmente ficaram ali como estatuas ao luar. Embora
estivesse morrendo de medo, Jen achou que eles pareciam muito sexy. Só que então Nikolai lhe deu uma cabeçada.
Ela não estava esperando de jeito nenhum que seu crânio fosse esmagado pela testa dele, então gritou e caiu no chão. Viu estrelas.
Nikolai esfregou a cabeça.
— Sempre quis fazer isso, mas não sabia que iria doer.
Dirk parecia meio preocupado.
— Não sei se a gente devia continuar – disse ele.
Eu sabia que ele não era tão ruim assim.
Nikolai pediu que ele calasse a boca.
— Você ta brincando, né? Dirk, você ta afim de trabalhar no Moosewood Coffe pra sempre? Pra mim, chega de gorjetas de cinqüenta centavos, de limpar o banheiro a cada quatro horas e meia e de dormir com garotas que trabalham na Costco, falou? Pra mim, chega!
— Cara... – Foi só o que Dirk disse, e fez um gesto para Jennifer, estirada no chão. A visão dela começava a clarear e ela tentava se levantar.
— Você quer ser rico e famoso como o cara do Maroon Five? Ou quer ser um fracassado de marca maior e suicida?
Dirk pareceu se entristecer.
— Maroon Five – admitiu.
Buuuu! Dirk é um canalha, afinal.
— Então seja homem e vá pegar o ritual!
Nikolai notou Jennifer se mexendo e tornou a agarrar-lhe o braço, praticamente enterrando os dedos na carne dela. Dirk voltou para o furgão e folheou os livros nos fundos, até encontrar um papel. Trouxe a folha para Nikolai.
— É só isso? – perguntou um dos caras.
— Que que foi? Eu achei na internet – explicou Nikolai.
Os rapazes ajudaram Nikolai a arrastar Jennifer até umas pedras, que eles usaram como uma espécie de altar Ela se deu conta mais tarde de que estava do lado da cachoeira, daquele tobogã aquático até o inferno. Acho que afinal existe um motivo para aquilo ser chamado de Devil’s Kettle – Chaleira do Diabo.
Ela tentou enterrar os pés na terra, mas eles eram muitos. Jennifer ainda estava grogue da cabeçada, além disso. Mas lutou mesmo assim e gritou por ajuda. Dirk lhe deu um tapa. Os três a seguraram enquanto Nikolai lia o que estava no papel.
— Viemos aqui esta noite para sacrificar o corpo de...
Ele fez uma pausa, incapaz de se lembrar do nome dela.
— ...dessa vadia caipira de Devil’s Kettle.
— Meu nome é Jennifer – sussurrou ela.
Aquilo o deixou muito puto.
— Seu nome é Cala a Boca Quando Estou Falando com Satã.
— Por favor – implorou ela. – Por favor, me solte. Faço qualquer coisa que você quiser.
— Só com gatas nota dez, meu amor – desdenhou ele. – Você é no máximo, uma nota nove de Minnesota, mesmo com esses enchimentos.
Aquilo foi um golpe baixo. Baixo mesmo. Ele enfiou a mão no sutiã dela e encontrou os enchimentos de gel que ela usava para dar uma turbinada. [E sério! Eu disse que eu é que tenho os peitões naturais.
Foi a conta. Jennifer tentou cuspir no rosto dele, mas o cuspe caiu no cabelo de Nikolai. Ele alisou o cabelo para trás e disse, na maior tranqüilidade:
— Vou fatiar você que nem abóbora. Você não sabe com quem está lidando aqui, não?
Nikolai posicionou a faca no ar acima do corpo de Jennifer.
— Certo, vamos logo com isso.
Ela retorceu-se de novo, tentando desesperadamente fugir. Dessa vez, para segurá-la foi preciso a ajuda dos quatro.
— Oh, Jenny. Ooooh, Jenny – cantarolou ele. Todos começaram a cantar juntos enquanto Nikolai a esfaqueava. Foi incrivelmente brutal. Eles a esfaquearam, surraram e basicamente fizeram de tudo para garantir que ela morresse. Tipo morresse morresse.
sábado, 7 de maio de 2011
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